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Tuesday, September 2, 2008

III.

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4:27 a.m.







"Tudo o que dorme é criança de novo.
Talvez porque no sono não se possa fazer mal,
e se não dá conta da vida (...)".


in 'O livro do desassossego',
Bernardo Soares.









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Saturday, December 8, 2007

Hoje em que o nada

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HOJE EM QUE NADA é português
Salvo a desgraça,
E em que um sopro maligno e soez
Por sobre as nossas almas passa;

Hoje em que manda quem serviu
Por condição,
E o próprio amor à Pátria é frio
Por Pátria ser um nome vão;

Hoje que, ruído o trono e a glória,
Só o Traidor
O louro e o ouro da vitória
Goza, vil como um vil actor;

Hoje uma voz que se levante
E diga, embora
Chore de ver, chorando cante,
Que vem nascendo além a Aurora,

Diga em palavras já tocadas
De outra Visão,
O Rei, e a vinda das Espadas,
E o fim da Horda e da Traição.


Fernando Pessoa

28-12-1919





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