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Saturday, December 8, 2007

Hoje em que o nada

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HOJE EM QUE NADA é português
Salvo a desgraça,
E em que um sopro maligno e soez
Por sobre as nossas almas passa;

Hoje em que manda quem serviu
Por condição,
E o próprio amor à Pátria é frio
Por Pátria ser um nome vão;

Hoje que, ruído o trono e a glória,
Só o Traidor
O louro e o ouro da vitória
Goza, vil como um vil actor;

Hoje uma voz que se levante
E diga, embora
Chore de ver, chorando cante,
Que vem nascendo além a Aurora,

Diga em palavras já tocadas
De outra Visão,
O Rei, e a vinda das Espadas,
E o fim da Horda e da Traição.


Fernando Pessoa

28-12-1919





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3 comments:

A. said...

Vai além das minhas forças
Beijar a mão que me fere,
Sorrir a quem me detesta,
Distribuir copos de água
Enquanto morro de sede.

É tão difícil, Tentar
dar-me como o trigo
A toda a fome ignorada,
Consentir que me triturem
As duras mós da fadiga,
Calar cá dentro o protesto
De mil renúncias custosas
E não ser capaz, não ser,
De cumular o abismo
Que nos separa.

É tão difícil, Não responder
com desprezo
Àqueles que me desprezam
E continuar a rir
Quando apetece chorar!

E eu quero que seja assim
Pelo amor Que me encadeou
a boca No sangue do silêncio
E me segurou os braços
Nos braços, a Cruz.



Frei M.Branco

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isabel mendes ferreira said...

um cisne chamado A. adejou-me esta caminho.


tenho andado docemente por aqui.


será que não vim perturbar?


espaço belíssimo.


__________________.

boa noite.

H. said...

Obrigado, Isabel, o passo das teclas perturba bem-vindo.