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Senhor: é tempo. Foi muito grande o Verão,
nos relógios de Sol estira as tuas sombras,
deixa que pelo prado os ventos vão.
manda aos últimos frutos a espessura,
dá-lhes do sul ainda mais dois dias,
força a plenitude neles, vê se envias
ao vinho forte a última doçura.
quem não tem casa agora, já não constrói nenhuma,
quem agora está só, vai ficar só, sombrio,
perder o sono, ler, escrever cartas a fio,
e a um ir e vir inquieto nas áleas se acostuma,
vagueando enquanto as folhas lá vão num rodopio.
Rainer Maria Rilke
Vasco Graça Moura, Bertrand, edição bilingue, Lx 2007
Lord: it is time. The huge summer has gone by.
Now overlap the sundials with your shadows,
and on the meadows let the wind go free.
Command the fruits to swell on tree and vine;
grant them a few more warm transparent days,
urge them on to fulfillment then, and press
the final sweetness into the heavy wine.
Whoever has no house now, will never have one.
Whoever is alone will stay alone,
will sit, read, write long letters through the
evening,
and wander the boulevards, up and down,
restlessly, while the dry leaves are blowing.
Translated by Stephen Mitchell,
"The Selected Poetry of Rainer Maria Rilke"
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nos relógios de Sol estira as tuas sombras,
deixa que pelo prado os ventos vão.
manda aos últimos frutos a espessura,
dá-lhes do sul ainda mais dois dias,
força a plenitude neles, vê se envias
ao vinho forte a última doçura.
quem não tem casa agora, já não constrói nenhuma,
quem agora está só, vai ficar só, sombrio,
perder o sono, ler, escrever cartas a fio,
e a um ir e vir inquieto nas áleas se acostuma,
vagueando enquanto as folhas lá vão num rodopio.
Rainer Maria Rilke
Vasco Graça Moura, Bertrand, edição bilingue, Lx 2007
Lord: it is time. The huge summer has gone by.
Now overlap the sundials with your shadows,
and on the meadows let the wind go free.
Command the fruits to swell on tree and vine;
grant them a few more warm transparent days,
urge them on to fulfillment then, and press
the final sweetness into the heavy wine.
Whoever has no house now, will never have one.
Whoever is alone will stay alone,
will sit, read, write long letters through the
evening,
and wander the boulevards, up and down,
restlessly, while the dry leaves are blowing.
Translated by Stephen Mitchell,
"The Selected Poetry of Rainer Maria Rilke"
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1 comment:
Mas de onde vem a consciência do tempo, ou o sentimento que determina a mais imprecisa das nossas emoções?
Refiro-me ao amor; mas é a morte, que lhe está ligada, que obriga a
que eu deseje a tua presença – ó flor mais viva desta natureza morta. então, sei que o meu horizonte é amanhã, definido pela linha exacta que os teus dedos traçam entre mim e ti. Porém, no banco em que nos sentamos, ouvindo o rio que corre, apesar do calor, as palavras são como a água:mansas e frias, ou duras e quentes, o que depende das circunstâncias e das estações.
O que pergunto, no entanto, é o que faz a duração do amor? E a resposta que dou tem a ver com as próprias variações da alma. O que eu sei é que ele é imprevisível como a própria cor dos teus olhos,
que depende das horas do dia; mas se a luz da tarde perdura, e a tua voz declina com a ternura do poente, é porque há uma explicação para a corrente das frases, onde vejo as medusas da idade saírem do abismo do fundo para a transparência vaga que os lábios oferecem. Há em tudo isto, um símbolo. E se a medusa pode ser
uma parte dele, a outra parte és tu que a conheces: o caule partido numa divisão de tarefas, quando
se divide desejo e orações.
Agora, nada é mais simples do que isto. Encontramos o meio do caminho. Pode ser que os dois pedaços do ramo colem ; se isso não acontecer, porém, já nada pode mudar. O que tem de colar são estas partes da alma que trocamos; e o símbolo é apenas aquilo que, em cada um de nós, é esse outro que guardamos.
N.J.
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...e por entre o espaço...
vou correr no rio que ouço.
meu doce amigo...até já.
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